Leucemia

LEUCEMIA

O que é Leucemia?

A Leucemia é um grupo de doenças que afetam a produção dos glóbulos brancos no nosso organismo. O resultado desta alteração é um crescimento anormal dos glóbulos brancos, que comprometem as outras células do sangue e podem perder suas funções. As leucemias são doenças em que há uma alteração genética adquirida nas células primitivas da medula óssea, portanto, não se trata de um fenômeno hereditário.

Para entender melhor estas doenças, é importante conhecer como funciona a medula óssea e a composição do sangue.

A medula óssea é o tecido esponjoso na parte central dos ossos, onde ocorre a produção das células sanguíneas. Todos os ossos participam da fabricação do sangue quando nascemos, no entanto, alguns diminuem a produção com a idade. Nos adultos, os ossos da bacia, ombros, costelas e esterno são os que têm maior participação.

A fabricação do sangue é chamada de hematopoese. Este processo consiste na transformação de células indiferenciadas, ou células-tronco hematopoéticas, em todas as células do sangue. A transformação é chamada diferenciação.

O sangue é composto pelo plasma e células em suspensão. O plasma é formado por água, na qual dissolvem-se várias substâncias químicas que incluem: proteínas, hormônios, minerais, vitaminas e anticorpos. As células são os glóbulos vermelhos, plaquetas e os glóbulos brancos. Os glóbulos vermelhos compreendem quase 50% do volume do sangue e são compostos por uma proteína chamada hemoglobina, com a função de captar oxigênio nos pulmões e levá-lo aos tecidos. As plaquetas são as células do sangue que auxiliam no controle das hemorragias e os glóbulos brancos fazem a defesa do organismo. Estes são divididos de acordo com suas funções:

1. Os neutrófilos e monócitos são denominados fagócitos, porque ingerem as bactérias e fungos causando sua destruição e, por essa razão, auxiliam na cura da maioria das infecções.

2. Os linfócitos têm como principal função a produção de imunidade, presentes em sua maioria no baço e nos gânglios e também em menor número no sangue periférico. Existem três tipos: os linfócitos T, B e os NK (Natural killer).

3. Eosinófilos e basófilos atuam principalmente nas respostas alérgicas.

 

Tipos de Leucemia

Existem quatro tipos de leucemia mais frequentes, chamadas de leucemias mielóide e linfóide, em suas formas agudas ou crônicas. Mielóide e Linfóide caracterizam o tipo de célula envolvido.

As leucemias, quando agudas, são agressivas e afetam a maioria das células ainda não totalmente desenvolvidas, que perdem a capacidade de desempenhar as suas funções normais. As células são denominadas “linfoblastos” nos casos de leucemia linfóide e mieloblastos nos casos de leucemia mielóide, multiplicando-se de forma incontrolável, acumulando-se e impedindo que sejam produzidas as células sanguíneas normais.

Já as leucemias crônicas progridem lentamente, permitindo o desenvolvimento de maior número de células diferenciadas. Em geral, essas células são capazes de exercer algumas de suas funções normais.

Diagnóstico:

Para determinar o tipo da leucemia que está afetando o paciente, o médico deve realizar exames físicos, além de testes de sangue. Isso resultará em um diagnóstico presuntivo, isto é, a hipótese de que pode ser leucemia. Depois dessa primeira etapa, outros exames mais específicos confirmarão o diagnóstico e indicarão qual tipo da doença está o afetando.

O exame mais comum para identificar a leucemia é o mielograma. Neste exame é feita uma punção da medula óssea, ou seja, a retirada de uma amostra de sangue por meio de uma agulha. Depois disso, o diagnóstico definitivo é feito por meio da análise microscópica da medula óssea, com a realização de exames denominados de imunofenotipagem e citogenética. O segundo, não é obrigatório para a determinação do tipo de leucemia, mas pode ser útil na determinação da taxa provável de progressão da doença. Assim, a mostra de células da medula é examinada para determinar se há anormalidades nos cromossomos. Dependendo do caso, o envolvimento do sistema nervoso também deve ser avaliado por meio da coleta e estudo do líquido céfalorraquiano (líquor).

 

Tratamento com TMO

O transplante de medula óssea, também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), era um procedimento feito em muitas crianças com leucemia alguns anos atrás. Atualmente, o transplante é indicado quando outras opções de tratamento não apresentam bons resultados e o paciente estiver com a doença bastante acelerada, a chamada crise blástica. Para acontecer o transplante, é preciso uma análise do quadro do paciente, sua idade e as características da doença desenvolvida. Caso os critérios sejam correspondidos, o procedimento indicado é o transplante alogênico, quando é preciso ter um doador 100% compatível.

 

Leucemia Linfóide Aguda (LLA)

A leucemia linfóide aguda resulta na produção descontrolada de blastos de características linfóides, reduzindo a produção normal de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. A LLA desenvolve-se a partir dos linfócitos primitivos que podem se encontrar em diferentes estágios de desenvolvimento.

Sinais e Sintomas:

As células com leucemia não realizam as funções normais do sangue, como o combate à infecção (realizada pelos linfócitos), o carregamento de oxigênio para os tecidos (realizado pela hemoglobina), e a coagulação (realizada pelas plaquetas). Por essa razão, os pacientes com leucemia frequentemente desenvolvem infecções, anemia e sangramentos. É importante ressaltar que os sinais e sintomas de leucemia aguda podem simular qualquer outra doença como as infecções virais ou bacterianas, doenças reumatológicas e outros tumores.

Ainda podem ser sintomas dessa doença a ocorrência de febre, perda de apetite e peso, manchas roxas na pele, sudorese noturna, dor abdominal devido ao aumento do baço, aumento dos gânglios linfáticos e testículos, dor de cabeça e vômitos, quando afetado o sistema nervoso central.

Tratamento:

Uma combinação de várias drogas é utilizada no tratamento da leucemia linfóide aguda. Por ser um tipo de leucemia mais agressivo, o paciente precisa iniciá-lo assim que o diagnóstico é confirmado. Neste início, o objetivo do tratamento é a remissão da doença com a restauração da produção normal de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. A escolha adequada do melhor esquema de tratamento, denominado protocolo, é indispensável para uma maior chance de cura do paciente.

Hoje, mais de 70% das crianças e 50% dos adultos jovens podem se curar da LLA.

A presença de fatores prognósticos desfavoráveis ou a recidiva (recaída) da doença normalmente levam a uma abordagem terapêutica mais agressiva, podendo ser quimioterapia ou o transplante de medula óssea.

Uma das causas de prognóstico desfavorável, que ocorre em 5% das LLAs da infância e 25% das LLAs do adulto, é a presença do cromossomo Philladelphia. Nestes casos, pode ser feito o uso de inibidores da tirosinoquinase, junto com a quimioterapia e transplante.

A fase inicial de tratamento é chamada de indução e pode incluir o tratamento ou prevenção da doença no sistema nervoso central, que inclui a quimioterapia intratecal, isto é, no líquor. Uma vez obtida a remissão, os pacientes são submetidos a ciclos de quimioterapia denominados consolidação e posteriormente a manutenção, sendo que o tratamento tem duração aproximada de dois anos.

Outros fatores também são importantes no tratamento, como uma dieta adequada e o uso de outras medicações, que podem ser receitadas para melhorar a qualidade de vida do paciente e diminuição dos efeitos colaterais.

 

Leucemia Linfóide Crônica (LLC)

A leucemia linfóide crônica resulta de uma lesão adquirida no DNA de uma única célula, um linfócito na medula óssea. Essa lesão produz células com maior capacidade de crescimento e sobrevivência, o que a torna anormal e maligna. O resultado desse dano é o crescimento descontrolado de células linfóides na medula, consequentemente, elevando o número delas no sangue. As células leucêmicas acumuladas na medula não impedem a formação de células normais, sendo mais difícil de ser diagnosticada a LLC.

A leucemia linfóide crônica ocorre geralmente em pacientes com idade acima dos 50 anos, aumentando a incidência à medida que avança a idade. Ela não está associada a altas doses de irradiação ou à exposição ao benzeno e a chance de desenvolvê-la é três vezes mais frequente entre parentes de primeiro grau.

Os sintomas da Leucemia Linfóide Crônica desenvolvem-se gradualmente. Estes pacientes apresentam mais cansaço e falta de ar durante as atividades físicas e podem sofrer perda de peso. Foi também identificada a recorrência de infecções na pele, de urina, nos pulmões e muitos apresentam aumento dos gânglios.

Apesar desses indícios, o diagnóstico geralmente é feito por acaso, em um exame médico regular.Alguns pacientes mantêm, no decorrer do tempo, as suas contagens de glóbulos brancos com pequenas alterações e usualmente não são tratados. Esta doença pode ficar estável por muitos anos e apenas deve ser monitoradas através de exames clínico e laboratorial. Em menos de 3% dos casos pacientes com LLC podem evoluir para uma fase aguda, tendo seu prognóstico piorado e necessidade de um tratamento agressivo.

Tratamento:

Alguns pacientes com LLC têm mínimas mudanças nas contagens sanguíneas, como um pequeno aumento nos linfócitos e pouca ou nenhuma diminuição nos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Esses pacientes podem permanecer estáveis por longos períodos, não necessitando de tratamento. Cerca de 50% dos pacientes não necessitam de tratamento devido ao curso clínico benigno da doença.

Quando um paciente portador de Leucemia Linfóide Crônica necessita de tratamento, cabe ao seu médico, baseado nas suas condições clínicas escolher a melhor abordagem. O transplante de medula óssea em suas várias modalidades também pode ser indicado em casos selecionados de LLC.

Entre as drogas utilizadas em Leucemia Linfóide Crônica, podemos citar:

Fludarabina (Fludara)
Clorambucil (Leukeran)
Cladribine (Leustatin)
Doxorrubicina (Adriamicina)
Prednisona (Meticorten)
Vincristina (Oncovin)
Rituximab (Mabthera)
Campath

 

Leucemia Mielóide Aguda (LMA)

A leucemia mielóide aguda (LMA) é resultado de uma alteração genética adquirida no DNA de células em desenvolvimento na medula óssea. Os efeitos são crescimento incontrolável e exagerado de células chamadas de mieloblastos, que deixam de funcionar como células sanguíneas normais. Assim, acontece um bloqueio da produção normal de células, levando a uma deficiência de glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulo brancos no sangue.

Não existe causa evidente para esta doença, no entanto, em alguns pacientes é possível relacioná-la à exposição a benzeno, principalmente no meio profissional, a radiação ionizante e à quimioterapia no tratamento de outras doenças. Foi identificado também um aumento no risco de ter LMA em pacientes com anemia de Fanconi e Síndrome de Down.

Não existe uma idade específica em que a doença se manifesta, entretanto, sua incidência varia de 1:150.000 na infância e adolescência, 1:100.000 entre os 30 e 40 anos de idade e aos 70 anos chega a 1:10.000 pessoas.

A LMA apresenta oito subtipos diferentes, que são visualizados e classificados através do mielograma. São esses os seguintes subtipos:

M0 e M1: mieloblásticas imaturas;
M2: mieloblástica madura;
M3: promielocítica;
M4: mielomonocítica;
M5: monocítica;
M6: eritroleucemia;
M7: megacariocítica.

A identificação das características dos diversos subtipos da LMA, como idade e condições clínicas do paciente, é fundamental na escolha do tratamento da Leucemia Mielóide Aguda entre os diferentes esquemas existentes.

As células com leucemia não realizam as funções normais do sangue. Por essa razão, os pacientes com leucemia frequentemente desenvolvem infecções, anemia e sangramentos. É importante ressaltar que os sinais e sintomas de leucemia aguda podem simular qualquer outra doença como as infecções virais ou bacterianas, doenças reumatológicas e outros tumores. Ainda podem ser sintomas dessa doença a ocorrência de febre, perda de apetite e peso, manchas roxas na pele, sudorese noturna, dor abdominal devido ao aumento do baço, aumento dos gânglios linfáticos e testículos, dor de cabeça e vômitos, quando afetado o sistema nervoso central.

Tratamento

Assim que for identificado o tipo de LMA, os pacientes devem ser submetidos ao tratamento quimioterápico inicial, chamado indução da remissão. O principal objetivo é o desaparecimento das células blásticas na medula óssea. Quando a remissão é atingida, a produção normal dos glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas é reestabelecida. A remissão não é cura, mas pode significar o primeiro passo para alcançá-la.

O tratamento pós-remissão depende da idade do paciente, condições clínicas e, principalmente, dos resultados da citogenética, podendo variar desde a intensificação das doses de quimioterapia em um ou mais ciclos, até o uso das diversas modalidades de transplantes de medula óssea (autólogo ou alogênico).

Além disso, cuidados gerais devem ser tomados, como a colocação de um catéter vascular para obter uma via adequada de infusão para quimioterapia, antibióticos e transfusões.

 

Leucemia Mieloide Crônica (LMC)

A leucemia mieloide crônica (LMC) é um tipo de câncer que é diferente dos outros tipos de leucemia pela presença de uma anormalidade genética nos glóbulos brancos, denominada cromossomo Philadelphia (Ph+). Os cromossomos das células humanas compreendem 22 pares, numerados de 1 a 22, e mais dois cromossomos sexuais. Nos pacientes com LMC, existe uma fusão de uma parte do cromossomo 9 com o cromossomo 22. Na maioria dos casos, essa doença afeta adultos na faixa etária dos 50 anos e apenas 4% dos pacientes são crianças.Hoje, mais de 70% dos pacientes conquistam a remissão completa da doença.

Como nos outros casos de leucemia, o corpo dará indícios de que está doente. Entretanto, os sintomas são muito similares a outras doenças e é necessário que a frequência destes sinais e intensidade sejam descritas ao médico. Entre os sintomas mais comuns estão a palidez resultante da anemia, cansaço, desconforto no abdome pelo aumento do baço, suor excessivo e perda de peso.

Tratamento

O tratamento para a LMC normalmente é feito com inibidores da tirosina quinase. Este medicamento combate apenas as células doentes e proporcionam uma vida normal aos pacientes, com poucos efeitos colaterais. Outra opção é o tratamento com imunomoduladores, através do Interferon. Essa é uma proteína existente em nosso organismo com o objetivo de combater doenças, e foi desenvolvida em laboratório para ser ingerida nos casos de Leucemia.Se esses tratamentos não derem resultado, o paciente pode ser direcionado para um tratamento de quimioterapia, que seguirá os mesmos procedimentos e ciclos indicados em outras leucemias.

 

Leucemia Bifenotípica

Em aproximadamente 5% a 10% dos pacientes com leucemia aguda demonstram duas linhagens diferentes nos blastos: a linhagem mielóide e a linhagem linfóide. Este subtipo de leucemia é denominado leucemia bifenotípica.Nenhuma recomendação específica de tratamento foi estabelecida para estes pacientes, mas a maioria dos oncologistas utiliza um protocolo híbrido para leucemia mielóide no início do tratamento e linfóide na manutenção, com o intuito de destruir a maioria dos clones malignos.